Conhecer os segredos do mel é um exercício de espera. A primeira obra de arte é a que fazem as abelhas: viajam sempre pelas manhãs e pelos fins de tarde, através da Serra de Sicó em busca das flores com o pólen mais disponível. Entretêm-se no antigo gosto do néctar da urze, em voo exacto cheiram a erva de santa maria, repousam nas orquídeas, provam o tomilho, picam os figos e as bocas de lobo... e, feita a viagem, carregam todo o pólen para a colmeia. Lá dentro o processo demora aproximadamente dois dias. A rainha dá as ordens e todas as outras se entendem na arte do fabrico. Cumprida a volta das estações o homem faz a colecta. é o acto mais fácil, o aproveitamento mais básico, recolher o alimento eleito pelos deuses.
Contudo, há na arte humana tarefas a respeitar: cuidar dos enxames, preparar as colmeias, centrifugar e filtrar o mel para que seja apresentado ao consumidor com o seu sabor e cheiro característicos.
Do mel há quem produza aguardente e licores, bebidas que acompanham bem a nossa doçaria tradicional.
Muitas vezes, mas principalmente na Primavera, andar um pouco pela Serra de Sicó é seguir o rasto das abelhas. Porque também sentimos os intensos aromas e trazermos quase sempre uma memória de paisagens únicas para filtrar como o mel e ser alimento da liberdade que só o mundo rural consegue oferecer.
Associação de Apicultores da Serra de Sicó
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O mel é uma substância açucarada produzida pelas abelhas (Apis mellifira) a partir do néctar das flores ou das secreções provenientes de outras partes vivas das plantas, ou que sobre elas se encontrem, e que libam, transformam e combinam com matérias específicas e armazenam nos favos da colmeia. Este é constituído, essencialmente, por diversos açúcares, predominando a glucose e a frutose. Contém, ainda, proteínas, aminoácidos, enzimas, ácidos orgânicos, matérias minerais, pólen e outras substâncias, podendo ter, também, sacarose, maltose, melezitose e outros oligossacáridos (incluindo dextrinas) e ainda vestígios de fungos de algas de leveduras e de outras partículas sólidas provenientes da colheita do mel.
Ao longo de três anos consecutivos foram efectuadas análises ao mel produzido na Serra de Sicó, através das quais poderemos chegar, aproximadamente ao produto final. Embora, este estudo não seja ainda conclusivo para padronizar o Mel da Serra de Sicó, visto haver algumas variações nos três anos de estudos, devido às alterações meteorológicas, que vão reflectir-se na floração e por consequência na coloração, na consistência e sabor do mel, podemos, no entanto concluir que a cor predominante é entre o âmbar e o âmbar claro, com uma consistência predominantemente fluída.
| Parâmetros Químicos | Valores |
|---|---|
| Frutose e glicose | 68,97% |
| Sacarose | 0,58% |
| Humidade | 15,67% |
| Materiais insolúveis na água | 0,072% |
| Condutividade | 471,4 micro s/cm |
| Acidez livre | 32,13 meq/kg de mel |
| Índice diastástico | 42,77 escala de Gothe |
| Hidroximetilfulfural | 5,55 mg/kg |
Nota: Ver os critérios de composição no Decreto-Lei nº 214/2003 de 18 de Setembro
Ao nível polínico temos uma forte predominância de Eucalipto e Silva, bem como, uma maior frequência destes com outros méis como o da Murta do Espinheiro da Queiró e da Reseda. Podemos ainda verificar que temos méis com presença maioritária de Roselha e Alecrim, Rosmaninho e Esteva. Finalmente, no que diz respeito ao mel multifloral, que corresponde a mel caracterizado pela presença de um conjunto de vários tipos polínicos, mais ou menos abundantes, nenhum ocorre com frequência altas e dominantes. Demarca-se assim o seguinte conjunto de mel multifloral:
Deste grupo, há ainda a possibilidade de destacar dois tipos de méis multiflorais com frequências superiores a 15%. São eles o mel multifloral com Silva e com Eucalipto e Alecrim. Além destas análises, foi realizada à posteriori uma outra, que nos indicou uma predominância em Tomilho.
Os ácidos fenólicos foram outro parâmetro analisado. Estes aparecem genericamente na natureza, embora a sua presença nos vegetais seja muito variável, razão pela qual são usados em estudos de diferenciação taxonómica. Actualmente têm sido referenciados ao nível da saúde humana devido às propriedades, anti-oxidantes e anti-cancerígenas, entre outras. Tendo em conta o seu valor, procurou estudar-se a relação entre tipos polínicos e a composição do mel em alguns ácidos fenólicos, informação esta que pode ter importância para a caracterização do mel. Através da análise dos resultados, observaram-se teores mais elevados em ácidos gálico, cloragénico, m-cumárico e elágico, podendo constatar que a composição em ácidos fenólicos parece estar associado a diferentes tipos polínicos, exemplo disso é o mel de Eucalipto que é mais rico, seguido do mel de Silva de Tojo, etc.
A Serra de Sicó deve grande parte das suas características morfológicas, paisagísticas e ambientais há presença de rochas calcárias e aos processos de evolução cársica do relevo. A floração existente tem uma presença de carrascos (Quercus coccifera), de azinheiras (Quercus rotundifolia Lam), de carvalho-cerquinho (Quercus faginea Lam ssp. Broteroi), de sargaços (Citus monspeliensis L.), de tojo (Ulex jussiaei Webb), de alecrins (Rosmarinus officinalis L.), de rosmaninhos (Lavandula stoechas), de tomilhos (Thymus zgsis subsp. Sylvestris) e de ericáceas, entre outras, onde as abelhas vão colectar o néctar, pólen, melada e própolis necessários à sobrevivência da colmeia.
A área geográfica da produção limita-se aos concelhos de Ansião (17.998 ha), Alvaiázere (16.100 ha), Penela excepto a freguesia do Espinhal (10.130 ha), Condeixa-a-Nova (14.216 ha), Pombal (62.636 ha)