FaunaMorcego-de-ferradura-grande
Nome Comum: Morcego-de-ferradura-grande
Nome Científico: Rhinolophus ferrumequinum
Família: Rhinolophidae
Distribuição
Rhinolophus ferrumequinum é uma espécie típica da Ásia Central e da Europa Mediterrânica.
Descrição
O Morcego-de-ferradura-grande é o maior da Europa. Este possui um comprimento entre 5 e 7 cm, com uma envergadura de 35 a 40 cm. O seu peso varia entre as 17 g e as 34 g. É a sua estrutura nasal que lhe permite diferenciá-lo das outras espécies, isto porque, o seu focinho é em forma de ferradura. Esta estrutura serve-lhe de sistema de orientação, ou seja, quando caça emite sons que o orientam na captura do seu alimento. As suas orelhas são compridas e ligeiramente agudas na ponta. As suas membranas alares são igualmente largas. A sua pelagem no dorso é pardo-acinzentada a avermelhada enquanto que a sua zona abdominal é esbranquiçada.
Comportamento
Este animal hiberna entre os meses de Outubro até Abril em cavernas. Durante este período enrola-se nas suas membranas alares, na posição de cabeça para baixo, preso ao tecto das cavernas, quase sempre em grupos formando colónias, muito raramente hibernam sozinho. As suas saídas para caçar são feitas unicamente à noite, para além de que, não caça no Inverno a não ser que a temperatura exterior esteja amena para os insectos voarem, dado isto, o acto de caçar é menor durante as temperaturas mais baixas. Tal como as outras espécies de morcegos, estes também usam o sistema de ecolocação para localizarem as suas presas, a particularidade desta espécie está no facto, de estes sons serem emitidos pelo nariz e não pela boca. É considerado uma animal muito sociável, com um voo lento e próximo do solo. Para além disso é um animal sedentário que se desloca num tanto de 50 Km do seu abrigo.
Alimentação
Esta espécie come fundamentalmente de grandes insectos nocturnos capturados em voo, tais como, borboletas, mariposas e escaravelhos.
Reprodução
O acasalamento ocorre geralmente no Outono, mas também existem indivíduos que se reproduzem na Primavera. Nesta fase são formadas colónias com crias que podem atingir cerca de 200 elementos, onde podem estar presentes outras espécies. Após a cópula a vagina da fêmea é fechada, com o género de uma película vaginal segregada pelo macho, com a função de guardar o esperma até à Primavera, altura em que estão reunidas as melhores condições climatéricas para terem os filhotes, ou então, com o objectivo de fazer selecção natural. O parto acontece ao fim de 40 ou 60 dias de gestação. Da progenitora nasce somente uma única cria, completamente sem pêlo, nos meses de Junho ou Julho. Os recém-nascidos abrem os olhos ao fim de 1 semana e começam a voar na terceira ou quarta semana de vida. Na oitava semana deixa o ninho de vez. As fêmeas só atingem a maturidade sexual após o terceiro ano de idade, enquanto que, os machos já estão aptos aos dois anos de idade. As fêmeas voltam aos mesmos locais para fazer os ninhos, que são sempre em lugares quentes, e para dar à luz as suas crias. O Rhinolophus ferrumequinum pode viver até 30 anos.
Habitat
Estes morcegos vivem em regiões quentes e longe dos lugares urbanos. Os seus habitats comuns são locais com árvores pouco densas, em terrenos abertos, cavernas e locais com muita água.
Conservação
No nosso país, estes morcegos tem o estatuto de espécie “Em Perigo” pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, isto porque, estes animais são bastante sensíveis às acções do Homem. O ser humano facilmente perturba o seu meio e as suas condições de vida, provocando assim, diminuições ao nível populacional. Exemplo disso é o uso desregulado dos insecticidas, a desflorestação, a aumento de incêndios, a espeleologia mal planeada, entre outros.
Curiosidades
Segundo um estudo realizado por cientistas britânicos, está provado que os morcegos da espécie Rhinolophus ferrumequinum mantêm relações incestuosas. Estes biólogos depois de analisarem a árvore genealógica desta espécie, concluíram que existem filhos de gerações diferentes que provêm do mesmo pai. Este facto, acontece devido ao seu comportamento social, ou seja, estes animais têm o hábito de viver em colónias constituídas por fêmeas com as suas crias. Quando chega a época reprodutiva as fêmeas procuram machos para procriar, e têm o costume de querer acasalar com o mesmo ao longo dos anos. Desta forma, chega a acontecer que os machos acasalam com as suas mães e com as suas avós.
Fotos: WIKIMEDIA COMMONS


