Percurso P2 "NAS 'BURACAS' DO CASMILO"
Percurso P2 "NAS 'BURACAS' DO CASMILO"
Guia QUERCUS - Percursos na Serra de Sicó

Local de início e final de percurso: Capelinha na aldeia de Casmilo

  • 4 kmDistância
  • CircularTipo de percurso
  • 2 hDuração
  • 360/270mAltitude máx/min
  • FácilEscala de Dificuldade FCMP (I a V)
  • Primavera e OutonoÉpoca Aconselhada
Carta Militar de Portugal, folha n.º 251 – Condeixa-a-Nova
Carta Militar de Portugal, folha n.º 251 – Condeixa-a-Nova 
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A beleza agreste do Vale das Buracas contracena com a constante presença de dóceis rebanhos e de campos domados pela mão humana, delimitados por muros de pedra calcária.
Este percurso é uma agradável lição de geomorfologia, pela particular formação do vale, do campo de lapiás e também das dolinas “arranjadas”.
Encontramo-nos junto à capelinha do Casmilo, de frente para esta. À sua direita, ao fundo, a elevação da Sr.ª do Circo.
Tomamos a estrada de asfalto à esquerda da capela.
Ao longo do caminho muitas oliveiras e maleiteiras-maior. Um eucaliptal à direita e também vários afloramentos rochosos.
O asfalto termina e a estrada passa a ser de terra batida.
Logo depois, chegamos a uma bifurcação e seguimos pela direita, subindo ligeiramente até atingirmos outra bifurcação. Continuamos a subir ainda pela direita.
Aqui deparamo-nos com uma uvala mais pronunciada do lado esquerdo da estrada. No maciço de Sicó encontramos cerca de 50 dolinas “arranjadas” – esta designação deve-se ao facto de não sabermos se o fundo destas depressões foi impermeabilizado pelos antigos habitantes (por exemplo, os árabes que também habitaram estas paragens comprovadamente utilizaram este processo no Norte de África), ou se foi obra exclusiva da natureza.
Muitos muros do lado direito.
Logo acima, do lado esquerdo, surge um campo de lapiás – o mais espectacular deste maciço. Um belo exemplo de carso aberto composto por calcário compacto do Jurássico Médio (Dogger).
Aqui, à nossa frente, a paisagem abre-se e descobrem-se algumas elevações. Começamos a descer suavemente. Para a direita, em baixo, surge uma parede escarpada.
Muitas oliveiras e rocha nua.
Para a direita, o vale estende-se. Atrás de nós a Sr.ª do Circo (antenas e santuário religioso).
Muitas roselhas.
Do lado direito a encosta oposta encontra-se rendilhada por muros e coberta de afloramentos calcários. As únicas árvores que aqui se vêem são as oliveiras, que conseguem medrar nestas encostas esqueléticas.
A estrada é de terra batida e desce mais, começando a virar para a direita e depois para a esquerda, entrando no vale.
A paisagem é bastante agreste.
Os montes encontram-se despidos de árvores e estão apenas cobertos por arbustos rasteiros (roselhas, maleiteiras, sanguinho-das-sebes, etc.).
No fundo do vale vêem-se alguns terrenos cultivados.
Um pouco abaixo, atingimos o fundo do vale. De um lado e do outro campos agrícolas devidamente delimitados por muros de calcário.

Vêm-se, de quando em quando, pequenos rebanhos de ovelhas e cabras provenientes da aldeia próxima onde ainda se pratica uma pastorícia de subsistência.

Vale das Buracas

Existem duas teorias que procuram explicar a formação deste curioso canhão.
Uma fala da construção à superfície, de fora para dentro. Admitindo que no período Quaternário passaria neste vale um rio muito sinuoso e caudaloso. Mas atribui especial destaque ao processo da gelifracção provocada por um glaciar ou periglaciar. A água que se encontrava nos interstícios da rocha teria então congelado e descongelado repetidamente até se fragmentar. Há quem assegure que os depósitos de gelifractos (calhaus muito angulosos de calcário originados pelo processo da gelifracção) encontrados no fundo do vale são evidência verosímil desta teoria.
A outra teoria refere-se a um processo físico de dentro para fora denominado de incasão. É na união de duas ou mais fracturas que se formam as cavernas neste tipo de rocha. A água que por aí circula vai corroer a rocha (no início trata-se de um processo químico). Quanto mais tempo o nível freático permanece num determinado ponto, maior será a cavidade aí formada. Como as “buracas” que encontramos nas paredes de um lado do vale têm uma correspondente à mesma altitude do outro lado do vale, podemos deduzir que são os extremos de uma antiga caverna, tendo o nível freático descido e subido lentamente, com fraca variação altitudinal. De súbito, deu-se um abaixamento brusco do nível freático (hoje encontra-se a mais de cem metros abaixo do vale), provocando a fragilização de toda a estrutura, devido ao alívio da pressão hidroestática, que culminou no desmoronamento de toda a parte central desta estrutura geológica. Deu-se então um arqueamento das partes laterais afim de suster as “buracas” (podemos comprovar facilmente este processo olhando para a parte superior destes abrigos sob rocha em forma de domos onde inúmeras fissuras convergem para um ponto comum, sensivelmente a meio destas cavidades.
A comprovar esta teoria está a presença de muitos blocos de colapso ao longo do vale; o referido arqueamento das “buracas”; a não existência de um vale em U (se o processo de gelifracção fosse consequência de um glaciar, teríamos um vale nessa forma característica), mas sim em V; os vários níveis simétricos de encavernamento formados pelo nível freático, e o regime de descarga de águas de todo o maciço toma a direcção Este-Oeste, perpendicular à orientação do vale.
A presença de gelifractos poderá ter acelerado o processo físico da incasão (?), ou terem sido originados por um processo posterior e de somenos importância (?). (Neto, C.. 1994)
Algumas figueiras bravas crescem nas buracas mais inacessíveis, aproveitando as fissuras e a porosidade da rocha para estenderem as suas fortes raízes.
Na bifurcação seguimos pela estrada da direita que sobe mais. Um pouco acima surge outra bifurcação. Continuamos pela direita subindo.
Logo depois o caminho contorna a encosta ligeiramente para a direita.
Do lado esquerdo um muro alto dá apoio às salsaparrilhas, aos carrascos, etc. e , num plano abaixo, alguns campos de cultivo.
Logo depois, do lado direito, um outro caminho desemboca no nosso. Continuamos por este, descrevendo uma curva em cotovelo, sempre a subir, à direita de um muro.
Vegetação rasteira: trovisco, carrasco, roselhas, maleiteiras, erva de Santa Maria e arruda. Algumas oliveiras calcinadas pelo fogo, dispõem-se do lado esquerdo, atrás do muro.
Mais acima, o caminho adensa-se de vegetação e desvia um pouco para a direita.
Durante a Primavera estes cumes encontram-se pintalgados de branco pelas inúmeras flores do saganho-mouro.
À nossa frente surge a Sr.ª do Circo.
Chegamos junto a um muro, perpendicular ao caminho, que seguimos. Desviamos pela direita e continuamos agora junto a esta “muralha” de calcário que desce suavemente.
A vegetação arbustiva (nomeadamente urzes) atinge aqui maiores proporções e a sua densidade tapa o caminho.
Sempre acompanhando o muro à nossa esquerda, o caminho desvia um pouco, também para a esquerda.
Boas vistas em frente.
Alguns afloramentos rochosos no caminho.
Logo depois termina o muro mas continuamos em frente em direcção a outro muro situado um pouco abaixo.
Descemos ligeiramente, mas logo depois subimos um pouco.
Seguimos um pequeno carreiro paralelo ao muro mais abaixo.
À nossa frente os eucaliptos.
Quando estamos de frente para o muro, contornamo-lo pela esquerda, passando ao lado dos eucaliptos.
Ficamos com o muro à nossa direita.
Os montes não têm árvores.
Logo depois o muro acaba e continuamos, desviando ligeiramente para a direita.
Caminho mais limpo de vegetação mas muitos carrascos à sua volta.
Passamos por outro grupo de eucaliptos. Em frente vemos a cumeada que culmina na Sr.ª do Circo.
Desviando um pouco para a esquerda o trilho chega a um cruzamento de pequenos caminhos. Do nosso lado esquerdo, à frente, um muro.
Continuamos pelo caminho da direita e descemos suavemente, aos “ss” por um piso mais marcado.
Logo abaixo ficamos com boas vistas sobre o vale, as paredes escarpadas em frente e uma mata de sobreiros mais acima.
Da parte debaixo da vereda e até ao fundo do vale, inúmeros arbustos queimados.
Continuamos a descer pelo caminho agora mais aberto e entramos numa zona ampla, limpa de mato, verdejante, com algumas manchas de fetos-macho e com a alta parede escarpada à direita, acima.
Continuamos em frente, descendo ligeiramente até ao fundo do vale.
Alguns carrascos de grandes dimensões logo abaixo do trilho.
Agora por quase degraus.
Chegados ao fundo do vale, atravessamos, mudamos de encosta e subimos junto a um muro alto. Caminho com muita pedra que mais acima alarga-se e continua por entre dois muros e por um olival.
Junto a uma oliveira atingimos a estrada principal (que já havíamos feito anteriormente – em terra batida).
Cruzamo-la e continuamos pela que sobe, ao lado direito de uns grandes afloramentos calcários.
Para a nossa direita ficam as buracas.
Do lado esquerdo os afloramentos formam uma espécie de degraus, baixos mas largos.
Muitas roselhas-grandes.
Curva em cotovelo para a esquerda e continuamos a subir.
Da parte de baixo a estrada principal continua paralela à nossa.
Logo acima seguimos por uma outra estrada à direita e descrevemos uma curva em cotovelo, sempre a subir.
Muita pedra pelo caminho.
Mais acima, do lado direito, na encosta oposta, vê-se uma pequena mancha de carvalhos-cerquinhos.
Muro do lado direito. Depois, muro do lado esquerdo.
Pilriteiros, oliveiras e carrascos à direita.
O caminho deixa de ser pedregoso. Logo depois alarga-se.
Continuamos em frente, outra vez por caminho rochoso.
De novo com muro do lado direito.
O caminho deixa de ser rochoso e deixamos de subir.
À nossa direita estende-se outro vale e nesta direcção, ao longe, vemos a Serra do Espinhal, uma crista quartzítica.
Muros de um lado e do outro.
Este caminho permite a passagem de veículos automóveis. Um pouco à frente, os campos à esquerda encontram-se cultivados com vinhas.
Logo depois desembocamos num grande largo.
Continuamos logo pela esquerda, ao longo do muro e entramos noutro caminho, ladeado por muros, que prossegue ao longo dos campos agricultados.
Várias figueiras junto à estrada.
Um pouco abaixo chegamos a um cruzamento. Continuamos pela esquerda, por um estradão mais largo.
Pouco depois atingimos a lagoa do Casmilo. Nos campos circundantes, entre outras coisas, medram vinhas, pessegueiros e salgueiros.
Continuamos e ao fim de alguns metros surge uma bifurcação.
Seguimos pela direita.
Aproximamo-nos de uma plantação de eucaliptos, situada um pouco acima da estrada, à esquerda.
Algumas oliveiras antes dos eucaliptos, devidamente dispersas.
Ao chegarmos junto do eucaliptal, surgem ao fundo os primeiros telhados do Casmilo.
À direita da estrada algumas figueiras e, atrás destas, os olivais e os campos de cultivo.
Logo abaixo passamos junto de um edifício bastante desenquadrado do resto da aldeia. É o CRCD do Casmilo (onde também funciona um café). Logo a seguir surge um cruzamento. Subimos pela esquerda, agora em asfalto, até atingirmos o ponto de partida, junto à capelinha.