Percurso P8 "AS QUEDAS D' ÁGUA DA RIBEIRA DA AZENHA"
Percurso P8 "AS QUEDAS D' ÁGUA DA RIBEIRA DA AZENHA"
Guia QUERCUS - Percursos na Serra de Sicó

Local de início e final de percurso: Espinhal

  • 2 kmDistância
  • LinearTipo de percurso
  • 2 hDuração
  • 330/255 mAltitude máx/min
  • FácilEscala de Dificuldade FCMP (I a V)
  • Primavera, Verão e OutonoÉpoca Aconselhada
Carta Militar de Portugal, folha n.º 263 – Espinhal (Penela)
Carta Militar de Portugal, folha n.º 263 – Espinhal (Penela) 
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Não podíamos omitir a menção a este recanto de beleza natural inquestionável. O troço da ribeira da Azenha é extremamente rico em diversidade botânica autóctone.
Através de um único acesso, é possível percorrer, para montante, parte do troço (que se encontra marcado) deste curso de água.
A grande irregularidade do terreno traduz-se em espectaculares quedas de água e as lagoas, onde ”brincam” as águas cristalinas.
Abobadados por uma vegetação luxuriante, iremos ainda encontrar várias azenhas abandonadas.
Encontramo-nos na vila do Espinhal, onde começa este percurso, no largo da capela do Calvário. É preferível deixarmos aqui o automóvel (apesar de ser possível levá-lo até junto à ribeira) porque, sendo este um local muito atractivo, pode implicar condução e estacionamento complicados mais à frente. É mais adequado fazer todo o percurso a pé ou parte de bicicleta e parte a pé.
Seguindo a orientação das placas, em direcção à Ribeira da Azenha e Pedra da Ferida, vamos à direita, por uma rua estreita e em pedra de calçada que desce.
Numa bifurcação logo abaixo, continuamos pela esquerda entrando num caminho de terra batida.
Logo depois, noutra bifurcação, tomamos o caminho da direita, que desce.
Uns metros à frente surge um sobreiro, de porte magnífico, do lado direito da estrada, num local onde também existe uma fonte.
A estrada continua a descer e ao longo de pequenos campos agricultados. A encosta do lado direito do vale encontra-se ricamente arborizada (apenas nas cotas mais baixas) com  sobreiros, castanheiros, nogueiras, pinheiros, etc.. A vegetação junto à ribeira da Azenha também é deslumbrante vista da estrada. Sobretudo amieiros, ulmeiros e salgueiros compõem esta mata ribeirinha. Junto à estrada crescem exemplares de carvalho-cerquinho, pinheiro-bravo, oliveira e eucalipto.
Um pouco à frente, numa outra bifurcação (vêem-se algumas casas), subimos pela esquerda.
Nesta parte da estrada, um pinhal mistura-se com eucaliptos. Vêem-se também alguns exemplares de carvalhiça.
Deste ponto elevado, observamos, para a nossa direita e ao fundo do vale, algumas belas quintas (destas, umas quantas, lastimavelmente, encontram-se abandonadas) que poderiam ser de muito interesse explorar numa perspectiva de turismo rural.
Um pouco à frente a estrada encontra-se infestada por acácias.
Passamos ao lado de um penedo de quartzito. Subimos. O caminho vira à esquerda e deparamo-nos com a encosta do mesmo lado praticamente sem árvores dado se ter efectuado um corte no eucaliptal aqui existente.  
Deste ponto temos óptimas vistas sobre a ribeira.
Atingimos, pouco depois, um pequeno largo. A partir daqui a estrada de terra batida dá lugar a um caminho pedestre geralmente húmido e sinuoso.
Incompreensível o corte de amieiros, salgueiros e ulmeiros (ameaçados de extinção) que se efectuou ao início, sendo esta uma associação vegetal invulgar no nosso país e por isso o principal atractivo deste local.
Ao longo de poucas centenas de metros é possível seguirmos a ribeira para montante, por um pequeno trilho. A vegetação é exuberante e rica.
A certa altura teremos que atravessar a ribeira num ponto em que ela é mais larga e onde alguns troncos cortados a represam.
Do outro lado começamos a subir por uma escadaria.
Ao fim de algum tempo atingiremos a primeira queda de água, mais pequena, e vemos, logo acima, a maior. Aqui já não existem trilhos pelo que aconselhamos extremo cuidado quando saltar de pedra em pedra ou escalar, pois a húmidade permanente torna o piso muito escorregadio.
O circuito termina neste local, pelo que, depois de saciados com a beleza desta ribeira magnífica, deveremos regressar pelo mesmo caminho.
Várias espécies de fetos, incluindo o feto-real, amieiros, carvalhos-alvarinho e mesmo alguns exemplares de carvalho-negral, azevinhos, amieiros-negros, folhados, ulmeiros, castanheiros, entre outras, constituem o rico coberto vegetal que encontraremos ao longo da ribeira da Azenha.
Da fauna local, os mais facilmente observáveis são o sapo-comum (Bufo bufo), a rã-ibérica (Rana iberica) e a cobra-de-água-viperina (Natrix maura).
Mas ainda aqui ocorrem o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e o melro-de-água (Cinclus cinclus).