Percurso P1 "O VALE DO RIO DOS MOUROS E A MATA DA BUFARDA"
Percurso P1 "O VALE DO RIO DOS MOUROS E A MATA DA BUFARDA"
Guia QUERCUS - Percursos na Serra de Sicó

Local de início e final de percurso: Museu Monográfico de Conimbriga

  • 7 kmDistância
  • CircularTipo de percurso
  • 3hDuração
  • 285/60 mAltitude máx/min
  • FácilEscala de Dificuldade FCMP (I a V)
  • Todo o anoÉpoca Aconselhada
Carta Militar de Portugal, folha n.º 251 – Condeixa-a-Nova
Carta Militar de Portugal, folha n.º 251 – Condeixa-a-Nova 
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A mata da Bufarda, ou Alfarda, foi um dos motivos da permanência de variados povos (com destaque para os romanos, pelos importantes testemunhos arqueológicos que nos legaram) que habitaram estas aprazíveis paragens, devido, sobretudo, à diversidade de animais e plantas que abrigava, proporcionando recursos alimentares e materiais de construção.
Apesar de actualmente os seus maiores valores naturais se encontrarem bastante empobrecidos e ameaçados, é ainda uma das mais significativas manchas florestais da região de Sicó, albergando magníficos exemplares de medronheiros, sobreiros, pinheiros-mansos e carvalhos-cerquinhos.
De carácter sazonal, o rio dos Mouros, cujas águas correm apenas nas épocas mais chuvosas, acompanha-nos durante metade do percurso. Inicialmente com vertentes abruptas, os declives vão-se “suavizando” à medida que progredimos.

Oppidum de Conimbriga

Não foi nenhuma casualidade os romanos terem escolhido a plataforma de Conimbriga para edificarem a sua famosa urbe (embora vários outros povos tenham habitado esse mesmo local muito antes dos romanos). Geograficamente, situava-se a meio caminho entre Olisipo (Lisboa) e Bracara Augusta (Braga), bastante próxima de Sellium (Tomar) e do mar. São notórios os benefícios estratégico-militares que auferiam do canhão fluviocársico escavado (no afloramento calcário do Jurássico Médio) pelo rio dos Mouros.
Também se tem referido que a floresta que nesse tempo rodeava a plataforma de Conimbriga constituía um importante factor de defesa contra possíveis inimigos, mas o certo é que existem registos de vários líderes militares romanos em que manifestam o seu desagrado por as florestas que outrora cobriam o Centro e Norte da Europa apenas servirem para dar cobiço às hordas de povos bárbaros que ameaçavam a soberania do império romano.
A cercania de água em abundância (incluindo a exsurgência de Alcabideque), a excelente exposição solar, os solos e os bosques ricos, os bons acessos e o bom escoamento de esgotos, terão sido outros factores importantes na escolha do local.
Conimbriga terá, porventura, vivido o seu apogeu durante o primeiro século da Era Cristã, mas a partir do séc. III sucumbiu às invasões bárbaras. Confiantes na segurança e longevidade da “paz romana”, os habitantes da antiga Conimbriga não investiram muito na defesa da sua cidade, tendo sido vítimas fáceis dos novos conquistadores. Foram necessários quase 2000 anos para que a Europa recuperasse os requintes civilizacionais que faziam o deleite dos romanos (pelo menos das classes mais abastadas).
Este percurso tem início junto ao Museu Monográfico de Conimbriga. Percorremos o parque de estacionamento até darmos a volta toda e, um pouco antes de chegarmos ao ponto por onde entrámos, continuamos por uma estrada de terra batida do lado direito. Para isso descrevemos uma curva apertada em cotovelo. Este caminho passa por trás do Museu.
Um pouco à frente, uma sebe acompanha-nos pelo lado direito. Esta termina logo abaixo e continuamos em frente, começando a descer em direcção ao canhão fluviocársico do rio dos Mouros.
Mais uma curva para a esquerda (em cotovelo) e agora a estrada de terra batida segue a direito, sempre a descer.
Pouco depois atingimos a ponte sobre o rio onde, só durante os dias de inverno ou mais chuvosos, se vê alguma água corrente.
Aqui encontram-se algumas espécies vegetais como os  salgueiros, freixos e também figueiras. Com cerca de 3,5 Km de extensão e vertentes que atingem os 50 metros de altura, este encontra-se densamente coberto de vegetação.
Segue-se uma pequena subida, mas íngreme, após a qual a estrada torna-se plana. Mas logo esta sobe de novo, suavemente.
Vêem-se pelo caminho alguns eucaliptos, carvalhos-cerquinhos, pinheiros-mansos e bravos, oliveiras e ciprestes.
Para a nossa direita fica o canhão do rio dos Mouros e o planalto de Conimbriga. Também se vê um olival deste lado da estrada.
Um pouco à frente chegamos a um cruzamento com outra estrada de terra. Para a direita esta continua para a aldeia de Ameixeira. Seguimos pela esquerda, ao longo de um pinhal de pinheiro-bravo.
Passamos por duas cortadas à esquerda que se embrenham no pinhal. Continuamos pela direita, subindo ligeiramente.
A vegetação arbustiva é dominada por urze-branca, pilriteiros, troviscos, medronheiros, salsaparrilha, alguns carrascos e poucos rosmaninhos.
Um pouco acima passamos por um povoamento de eucaliptos, rodeado de pinheiros-mansos.
Depois do eucaliptal voltam os pinheiros-mansos, os pilriteiros, os carrascos, os troviscos e os medronheiros. Também se vêem algumas oliveiras de pequeno porte.
Ao chegarmos a uma bifurcação em “Y”, continuamos pela esquerda.
Logo depois desta bifurcação o coberto arbóreo diminui, dando lugar aos arbustos e ficamos com boas vistas para a esquerda, para o vale do rio dos Mouros. Vale agora mais aberto, ao contrário das margens escarpadas e verticais um pouco a jusante. Muitos carrascos pela vertente abaixo. O caminho deixa de subir e estabiliza.
Também se vêem muitas roselhas.
Na encosta oposta existe uma mata de pinheiros-mansos.
Ao longo do caminho que percorremos o mato é muito denso mas junto à estrada crescem alguns zambujeiros.
Pouco depois surgem mais eucaliptos.
Na encosta contrária, o pinheiro-manso dá lugar a uma vegetação mais arbustiva.
Do nosso lado direito, foram erguidos alguns socalcos, ou muros de pedra, utilizados para estabilizar os solos e prevenir a erosão. Actualmente, estes campos, que serviram para a prática da agricultura e do pastoreio, encontram-se abandonados e completamente cobertos pela vegetação.
Começamos a descer e a vegetação, agora ainda mais rasteira, permite-nos observar, mais abaixo, o curso do rio e pequenos olivais marginais. Aqui também se instalaram alguns povoamentos de eucaliptos.
Erguemos os olhos para a encosta e verificamos um acentuado problema de erosão, que originou uma mancha cinzenta na paisagem, onde já não cresce vegetação alguma.
À nossa direita os carrascos não superam um metro de altura.
Chegamos ao fundo do vale, junto ao rio, que nos acompanha durante algumas dezenas de metros.
Um pouco à frente, junta-se ao nosso caminho um outro vindo da direita. Continuamos em frente, logo a subir e o rio afasta-se para a esquerda.
Existem vários olivais, campos de cultivo, pastagens e vinhas ao longo deste rio, denunciando a proximidade de uma aldeia.
A estrada vai subindo e descendo suavemente e é ladeada, pela esquerda, por carvalhos-cerquinhos e, pela direita, ao longo da encosta, por oliveiras dispersas.
Vê-se por entre os carvalhos e as oliveiras a aldeia do Poço.
Começamos a subir para descer finalmente para a aldeia. À direita o olival sobe a encosta íngreme.
Entramos na aldeia, desembocando num largo asfaltado, com um engenho utilizado para puxar água, do lado esquerdo, agora fora de uso. Em frente a este engenho situa-se um lavadouro público.
Continuamos pela direita, passando por uma pequena capela. Logo à frente, atravessamos a ponte.
Sempre por estrada asfaltada, começamos a subir até chegar a uma bifurcação.
Seguimos para a esquerda.
Um pouco acima atingimos outro cruzamento, para a direita a estrada continua para Fonte Coberta. Vamos pela esquerda.
Ciprestes plantados ao longo da estrada.
Passamos por um estradão de terra batida, à esquerda.
Continuamos ainda pela estrada de asfalto.
Logo acima atingimos outro estradão à nossa esquerda e iniciamos a subida por aqui.
Os primeiros metros processam-se ao longo de uma zona bastante árida.

Durante a subida e para o lado direito observamos a estrada 110 para Penela e continuando a perscrutar a paisagem, vemos ao longe a Serra da Lousã (o Trevim e o St. Ant.º da Neve) e o seu prolongamento para Sul.
Em primeiro plano uma vasta extensão de pinheiro-manso e pinheiro-bravo, que encontramos também ao longo da subida.
Também observamos a aldeia de Alcabideque, à frente. Mais para a direita Beiçudo e Casal Novo. À medida que vamos subindo, as árvores vão sendo mais escassas.
Os últimos metros da subida são muito íngremes.
Atingimos a cumeada. Os matos cobrem este solo.
Erguem-se várias elevações nas proximidades, a Sul: o Moinho do Outeiro (377 m) com a alta antena e o seu moinho de vento giratório; para a sua direita ergue-se o santuário da Sr.ª do Circo (406 m) e mais perto de nós os marcos geodésicos de Cruto (356 m) e de Pega (326 m).
Subimos mais um pouco. Do lado esquerdo, logo abaixo da estrada, alguns pequenos carvalhos. Recuperaram após um antigo incêndio.
Abundam os carrascos, roselhas, tojos e herbáceas.
Atingimos o ponto mais alto e começamos logo a descer, agora com vistas em frente para Condeixa-a-Velha e Nova.
Logo após efectuarmos uma curva para a direita e depois de passarmos os eucaliptos, ficamos com melhores vistas para Condeixa, o Museu e a Mata da Bufarda (do lado esquerdo).
À direita de um monte à nossa frente, Alcabideque.
Os medronheiros começam a surgir e aumentam em número e tamanho à medida que descemos. Surgem os pinheiros-mansos.
Também se vêem pinheiros-bravos, troviscos e sanguinho-das-sebes.
A vegetação torna-se densa.
O estradão inclina-se para a direita, aproximando-nos da estrada para Penela.
No final da descida seguimos para a esquerda em vez da direita.
Ciprestes, eucaliptos, carvalhos-cerquinhos.
Um sobreiro do lado esquerdo indica-nos a aproximação de um cruzamento.
Subimos pela esquerda. Muita vegetação margina a estrada, quase “sufocando-a”. Sanguinho-das-sebes, madressilva, carvalhos-cerquinhos, medronheiros, pilriteiros, carrascos, sobreiros, ciprestes e pinheiros-mansos.
Um pouco acima chegamos a outra bifurcação. Continuamos em frente, sempre a subir. Mais acima a estrada aplana. Vêem-se mais pinheiros-mansos e bravos. Alguns medronheiros atingem os três metros de altura.
Algum tempo depois atingimos outro cruzamento. Continuamos pela direita, descendo.
A vegetação mantém-se, aumentam os pinheiros-mansos.
Mais abaixo surge um eucaliptal do lado direito.
Mantemo-nos sempre na mesma estrada que desce em direcção ao Museu.
A certa altura algumas azinheiras tombam por cima da estrada, quase formando um túnel.
Só para sua orientação, esta parte do percurso progride paralelamente ao rio dos Mouros, afastado de nós poucas dezenas de metros à esquerda.
Surgem os olivais quando o caminho aplana e passamos a ter um muro alto do lado direito.
Logo depois a estrada termina nas traseiras do Museu. Pela direita atingimos o parque de estacionamento.